A pressa de viver, estamos a caminho de onde final?
- goreticorga
- 28 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Tudo parece medido pela velocidade. O tempo é curto, as expectativas são altas, e a sensação de estar “atrasado” é quase uma constante. Corremos para alcançar metas, para mostrar resultados, para “chegar lá”, mesmo que, muitas vezes, nem saibamos ao certo onde esse “lá” é. Isto alimenta uma ansiedade silenciosa, a ideia de que precisamos estar sempre um passo à frente, de que parar é uma perda de tempo, e quando nos perguntam como estamos, a resposta automática vem rápida, quase programada: “Estou bem”, mesmo quando não estamos, parece que não há tempo para sentir… sentir o que precisamos sentir, sentir o que precisamos chorar, sentir o que precisamos libertar, sentir o que precisamos gritar, parece que não estar bem demonstra fragilidade, fraqueza, fracasso, mas essa máscara pesa, pesa tanto... não a sentes? Quando percebeste que a tinhas? Não tens vontade de deitá-la fora? Ela cria um abismo dentro de nós mesmos e dos outros, escondemos angústias, medos, cansaço, numa tentativa de manter as aparências, enquanto por dentro nos sentimos cada vez mais desconectados.
Isto tem um preço... perdemos o presente.
Vivemos projetados no futuro, à espera do momento em que, finalmente, estaremos “bem de verdade” e a vida vai passando.
A pressa impede-nos de ouvir os nossos próprios ritmos, não respeita os nossos limites físicos, os nossos limites emocionais, desaprendemos a escutar o corpo, a escutar a mente, a escutar a intuição, ignoramos os sinais de exaustão até que o corpo, um dia, nos obriga a parar.
A pausa não é uma perda de tempo. Ela é o tempo que nos devolve a vida. Parar para respirar, para sentir, para refletir, é um ato de coragem num mundo que romantiza a pressa. Ser verdadeiro com o que sentimos é libertador, dizer “hoje não estou bem” não é fraqueza, é humanidade, e a vulnerabilidade tem o poder de nos conectar genuinamente connosco e com os outros.
Desacelerar é um processo, não se trata de desistir de sonhos ou metas, mas de caminhar com presença. É aprender a valorizar o agora, mesmo quando ele é imperfeito.
Permitir-se sentir, errar, recomeçar, olhar para dentro com honestidade, tirar a máscara, ainda que aos poucos, e dar espaço ao verdadeiro “estou bem”, aquele que nasce do equilíbrio, não da aparência.




Só posso concordar contigo e bem sabes disso. Já foi o tempo em que dizia que estava tudo bem. Ensinaste me a reconhecer os meus sentimentos e a aceitar os bons como os maus momentos. É um trabalho difícil mas tão rico de se ver o fruto que dá. Obrigado 🫂 Goreti